maio 20, 2016

Rolê na praça

Um abraço apaixonado na Praça Batista Campos

By Michele Escoura In CHEIRE

Meus pais se conheceram na praça. Um clássico do interior paulista.

Na cidade de dezoito mil habitantes e com o primeiro semáforo de inauguração recente – com direito à festa oficial – a “Praça da Matriz” era o point da juventude. Está certo que não só da juventude. Ficava ela cheia de tiazinhas saindo da missa no domingo de manhã e as criançada correndo aos finais de tarde. Ela, esse sujeito determinado – a praça – povoa muitas das minhas histórias de família e memórias de Pompéia.

Mas depois que fui pra São Paulo, “praça” virou aquela cercada de grade e horário de funcionamento ou aquela onde você passa depressa franzindo a testa. Praça Roosevelt, “senta lá ao meio dia pra ver”; Praça da República, “melhor não passar a noite”; Praça Princesa Isabel, “não caminhe pelo meio”; Praça Buenos Aires, “proibido permanecer depois das 22h”… Um desalento.

Belém, ah, Belém de suas praças… Desde que chegamos decidi que Praça Batista Campos seria meu lugar preferido na nova cidade.

Foi amor à primeira vista, cheiro e ouvido.

(dá play!)

Praça Batista Campos ao final da tarde. Como não amar? Tem post com maritacas no site!

Um vídeo publicado por Café com Tamaquaré (@cafecomtamaquare) em

Seus coretinhos enferrujados, as sumaúmas repletas de garças e maritacas ao fim de tarde e as barraquinhas de água de coco gelada bastaram para eu me encantar. Mas paixão mesmo foi quando comecei a ver o povo todo ocupando a praça, como deve ser.

De tardinha, famílias inteiras correm atrás dos quilinhos acumulados com maniçoba nas leggins de cores mais vibrantes que já tive notícia. “Égua” de uma gente cromatizada!

À noite, os banquinhos ficam tomados pelos casais enamorados sob a brisa fresca – é cada amasso! Tem casal de gente nova, gente velha, gente de mesmo sexo… Uma ode ao amor a cada ponte sobre os laguinhos molhados.

E de sábado de manhã…. Ah, o sábado de manhã…

Esse, que já era o meu lugar favorito do mundo, ficou agora recheado de criança pulando na grama, fazendo pic-nic, correndo atrás dos balões de gás-hélio, vendo as bicicletas passarem e ouvindo as toadas de violão da galerinha da igreja. Outro dia vi um casal saindo pela praça pedindo ajuda para pagar a festa de casamento. E não é que ajudaram? O pipoqueiro, coitado, deve ver a clientela toda fugir ao meio dia para o carrinho do sorveteiro. Aqui, uma desleal concorrência. E a garça que não se mexe lá no meio do espelho d’água da praça? E não é que podia ser de verdade mesmo? Demorei minutos para perceber que era de enfeite. Praça, de uma vida de gente, de um verde vistoso e uma sombra acolhedora que nem abraço da mãe depois da saudade.

Um suspiro…

Me apaixonei.

Sábado de manhã, praça coletiva ♥

Sábado de manhã, praça coletiva ♥

 

De olho no coreto

Olha o balão!

Sorveteiro ameaçando a concorrência

Sorveteiro ameaçando a concorrência

Final de tarde na Praça (e eu aos pés da Sumaúma)

Final de tarde na Praça (e eu aos pés da Sumaúma)

 

 

 

 

 

Comentários

comments

Leave a Comment