junho 11, 2016

Remo x Paysandu, o Re-Pa

Fomos torcer no Clássico Rei da Amazônia

By Bruno Terribas In SINTA

O confronto Clube do Remo vs Paysandu Sport Clube não é apenas um clássico estadual ou regional. Os clubes protagonizam o clássico jogado mais vezes no futebol mundial  até hoje: 737 encontros. Curiosamente já foi disputado até fora do Brasil, nos três jogos realizados em Paramaribo, no Suriname, por torneios internacionais.

Mesmo sem ser um “rato de estádio”, já tive a oportunidade de assistir algumas boas partidas de futebol por aí. Desde inúmeros jogos com a fiel no Pacaembu (o estádio que mais frequentei), até vibrar com os colchoneros numa oitava de final emocionante nas oitavas de final da Champions League. Do simpático Anacleto Campanella de São Caetano do Sul na adolescência ao novo Maracanã.

RePa - 20160423

Agora era a chance de ver o que pega nessa tradição belenense. Rivalidade que infelizmente, como em outros clássicos, já deixou vítimas feridas e mortas, mas que aparentemente não ultrapassa as fronteiras das torcidas organizadas para o dia-a-dia da cidade.

Em São Paulo, por exemplo, é extremamente recomendável evitar de vestir a camisa de seu clube em dia de jogos dos times rivais. Principalmente se for utilizar transporte público. Aqui, até então, não percebi um clima de tanta agressividade.

Talvez em razão disso, o Re-Pa ainda não comprou a ideia da “cota de 5%” ou a “torcida única”. Aqui a ocupação do estádio é na base do meio a meio, com entradas e áreas separadas para cada clube.

O jogo que escolhemos para estrear no derby era válido pela segunda rodada das semifinais da Copa Verde (torneio que reúne os times do Norte, Centro-Oeste e ES). No primeiro jogo tinha dado Papão (Paysandu) por 2 a 1. O clube azulino (Remo) precisava então da vitória simples para ir aos pênaltis ou vitória por dois gols para se classificar para a final. Empate e derrota o eliminava. Foi para este lado que resolvemos torcer, pois parecia que a emoção ia ser maior deste lado.

O novo torneio era disputado apenas pela terceira vez, e nas duas últimas edições os clubes paraenses tinham deixado a taça escapar na fase final. Em 2015, de forma inacreditável pelo Remo, ao perder por 5×1 para o Cuiabá fora de casa após vencer por 4×1 em Belém.

Portanto o último Re-Pa do ano seria o mais importante. Eles não jogarão mais em 2016 visto que o Remo joga a série C (terceira divisão) e o Paysandu a série B (segunda divisão).

Pouco antes do jogo, para variar, caiu uma chuva bem forte. Chegamos em cima da hora no portão de entrada e lá presenciamos uma confusão recém ocorrida, mas por sorte entramos rapidamente no “Mangueirão”. O clima dentro do estádio, porém, era bem “família” tadalafil 5mg. Crianças com os pais e mães, jovens e pessoas mais velhas compartilham o espaço e cânticos de apoio ao time.

Talvez pela vitória no primeiro jogo, a torcida bicolor (Paysandu) compareceu em maior número que os remistas. A torcida do lado de lá também estava mais bem organizada, com músicas cantadas com sincronismo por toda a arquibancada, enquanto no Remo  cada parte puxava uma música diferente.

Começado o jogo, cada jogada trazia muita emoção. O nível técnico não é dos melhores, mas sobra disposição por parte dos jogadores. Tecnicamente, tínhamos um duelo entre o excelente meia Eduardo Ramos arrastando os azulinos nas costas contra um time mais entrosado coletivamente, mesmo sem grandes valores individuais, que era o caso do Paysandu.

No primeiro tempo o Paysandu saiu na frente, o que deu um belo gelo na empolgação da torcida do Remo. Mas o gol de empate na última jogada do primeiro tempo colocou fogo no jogo. No segundo tempo o Paysandu voltou a passar na frente, mas o segundo gol de Ciro deixou a partida aberta novamente. Aí foi que uma expulsão discutível de um dos zagueiros do Remo desorganizou todo o time, que tomou mais dois gols e foi eliminado.

 

A torcida azulina começou a abandonar o jogo no terceiro gol do Paysandu. Sobravam xingamentos para o time, indignados com a má apresentação após ficarem com um a menos em campo. Era muita frustração para os 11 mil presentes desse lado do campo. Agora são 231 as vitórias bicolores, contra 256 do Remo.

Na volta para casa, de táxi, o condutor contou que era pai de um ex-lateral do Remo. Assim que entramos no carro, o filho ligou para lamentar com ele a derrota do time do coração. Formado nas categorias de base no Baenão (estádio azulino), o jovem agora atua num clube da série B nacional e só deixou de defender a camisa azul marinho por falta de pagamento. Sinal de que o tamanho da paixão dos paraenses pelo Remo e Paysandu é muito maior que o profissionalismo da direção dos clubes.

 

Comentários

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1 Comment
  1. WANDIRA BASTOS DE SOUSA _ agosto 3, 2016

    Gostei do texto, só não gostei de falar da derrota do mais querido, do meu Remo, “égua” de ti….

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