março 3, 2017

Quando o inverno chegar

Vai chuva!

By Michele Escoura In SINTA

É inverno no equador amazônico.

Sim, você leu certo. Na Amazônia, tem inverno.

Mas colega, aqui a gente aprende que a palavra “inverno” tem outros significados. Se você pensa logo no lugar com aquela cara gélida, esqueça. Belém fria, só em experimento fotográfico por enquanto. Nessa terra de rios por todos nossos lados, inverno é época correnteza de cima despencada. E se aqui, como dizem, no verão chove todo dia, no inverno chove o dia todo. E como chove!

Domingo a bordo com o povo das águas. Águas da terra, águas do ar.

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É época em que até a almofada no sofá insiste em mofar. Você abre seu guarda-roupa, e pá! Tá lá seu vestido mofado, ou sua carteira, a mochila ou a cuia do seu tacacá… Minha jaquetinha de couro pras temporadas de inverno paulista então, coitada, não sobreviveu ao primeiro ano. Primeiro mofou, depois se dissolveu em farelos. Dei adeus.

A temporada das águas na terra das águas começa já no finalzinho de dezembro, quando então as nuvens encobrem o céu lá pela tarde e se passa o resto do dia naquela chuva que vem, depois vai. Sem o sol da latitude 1 maçaricando a sua cabeça, a temperatura vai baixando e, à noitinha, nem ventilador mais precisa pra dormir um soninho refrescado.

Quando chega fevereiro, haja anti-mofo pra te salvar! Não à toa até prateleira especial no mercado o utensílio costuma ganhar. Vale-tudo pra evitar que você saia de casa com a roupinha cheirando à 1937. Aqui em casa salvei os edredons de outros tempos (sim, sou apegada) e até o poncho peruano em dois daqueles sacos à vácuo. Uma maravilha! Você bota tudo lá, fecha com um sistema de “zip” e faz o vácuo com o aspirador de pó encaixado num bocal. Se precisar pegar algo é só abrir e depois aspirar o ar de novo. Moderníssimo, direto da rua vinte e cinco de março e ainda reduz o volume de entulho no armário.

Mas agora março, meus caros, recomendo visitas a estes lados apenas para aqueles necessitados de um bom período de férias embalado por um sono gostoso ao som d’água na janela. Porque, olhem, chove. E chove mais que na Tailândia em época de monção, pra se ter ideia (sério.). Minha galocha azul brilhante achou aqui melhor lugar pra se ter serventia. E se não bastasse os quase 500 mm que se chove no mês, chove os 30 dias da temporada. E fica cinza, num cinzinha que só não parece com São Paulo porque o céu nos presenteia com um 100% de umidade.

E aí, de tocaia contra o molhado, você se acaba num netflix aconchegado e, quem sabe, consegue até tomar um vinhozinho em temperatura ambiente até abril (e o sol) chegar.

Chovendo aqui, na semana passada bateu nos 23°. Botei logo minha meia.

 

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