abril 20, 2017

Qual melhor época para visitar Belém?

By Michele Escoura In CHEIRE

Não é de se ter surpresa que Belém esteja cada vez mais nos sites de busca para quem planeja suas próximas férias. Novelão das nove, as músicas da Dona Onete e a cachaça de jambu tão aí tremendo na boca do povo pra não me deixar mentir. E não é pra menos. Belém é um lugar tão ímpar no mapa brasileiro que absolutamente todo mundo que eu conheço e já veio, saiu com saudades. Não à toa também seja unânimidade a gente receber carinhas de “óunnnn” quando damos a notícia de que trocamos a vida paulistana pela cidade das mangueiras.

Pensando nisso e no quanto queremos manter nossa casa paraense sempre cheia de visitas, preparamos um roteiro [em expansão] para responder à pergunta: qual a melhor época para visitar Belém? Para as informações mês-a-mês me baseei tanto no calendário de eventos locais que acompanhamos nesse primeiro ano vivendo aqui como também na importantíssima variação climática da cidade. Afinal, estamos na Amazônia equatorial, né mores?

Vitória Régia do Museu Paraense Emílio Goeldi (Foto: Michele Escoura)

 

Ao contrário das outras regiões do país, por aqui se costuma dizer que só há duas estações no ano: verão e inverno. E se você é dessas outras regiões e acha que vai vir para Belém e curtir o maior solzão nas suas “férias de verão”, esqueça. De dezembro até maio em Belém é inverno. É frio? Não. Mas chove… E como chove! (escrevi sobre isso aqui) E dependendo do mês que você vier, os passeios em ambientes abertos podem até ficar comprometidos. Mas nada também que não se contorne com uma programação de viagem dedicada às atrações em lugares mais fechados, como seguir os roteiros musicais e gastronômicos da cidade – que nunca param! De Junho em diante o verão vai mostrando sua força e sair ao meio dia pelas ruas da capital paraense é ter a sensação de estar no alvo de um maçarico celeste, flambando até que lá pela tardinha uma “garoa” torrencial te refresque os ânimos. Nessa época, viagem dos sonhos é com bastante tempo para aproveitar todos os rolês da cidade, mas também de seu entorno. Quando recomendamos fortemente uma esticadinha esperta para a Ilha do Marajó ou para o “sal”: o litoral de praias paradisíacas banhadas pelo atlântico salgado que estão pertinho daqui.

Janeiro
Janeirão é quando o inverno iniciado em dezembro parece engatar de vez. A chuva não só marca presença todos os dias, como também há dias em que só chove. Nesse mês pelo menos metade dos dias a gente acorda e já encontra o céu mais nubladinho e lá pela tarde começa uma pancada forte de chuva que permanece em garoa até o final da tarde, deixando a noite mais fresca. Passada a chuva mais forte, o importante é ter sua sacolinha em punhos para sair pela rua pegando as mangas caídas da tempestade. Não há quem fique fora dessa colheita!
E como é mês de férias escolares, o movimento da cidade fica em outro ritmo, aliviando muito o trânsito dos dias comuns. Dia 12 é aniversário de Belém e é muito fácil encontrar programações de atividades variadas em comemoração à data, desde os grandes eventos organizados pelo poder público como edições especiais das festas rotineiras do calendário.

Fevereiro
Suas fotos de carnaval possivelmente não ficarão tão ensolaradas se você resolver pular a folia por Belém. Se em janeiro de vez em quando o céu nublado era a tônica da metade dos dias, em fevereiro os ensolarados perdem de vez o espaço. Quase todos os dias, amanhece nublado, chove forte pela tarde e depois fica uma chuva fina até de noite. Nessa época aqui em casa, o ventilador do quarto ganha férias e é quando só a brisa fresca que entra pela janela já dá conta do sono. Com sorte, um dia ou outro na semana amanhece ensolarado, mas a situação logo é revertida pela tarde. Durante o feriadão, é bem possível você se deparar com algum bloco de carnaval pelas ruas, ainda mais se estiver pelas bordas da cidade. A capital paraense não é necessariamente um epicentro da folia (o carnaval de regiões no interior são bem mais famosos do que aqui), mas se você está a fim de curtir um cortejo de aparelhagens ou um bloquinho no bairro improvisado com um som de porta-malas de carro, aqui é o seu lugar.

Março
Tenho CERTEZA que “Águas de Março” foi composta por Jobim pra Belém. Gente, é muita água. Foi em março que entendi o real significado de “povos das águas”. Chove-se todos os dias e o dia inteiro. Aqui a sorte é você entrar num dia em que dá só uma pancadona e depois para. Esse é um mês ótimo de visitar Belém para quem tá a fim de tirar uma férias relax, ficar balangando na rede e lendo um bom livrinho – isso se você não tiver rinite, claro, porque é quando fica mais difícil controlar o mofo pela casa. Andar pelas ruas vira tarefa divertida só se você tiver como se esquivar dos constantes alagamentos e munido de poderoso arsenal: um bom guarda-chuvas e, para entendidos, uma boa galocha. Nesse período a temperatura abaixa um pouco também e vi a mínima chegar em torno de 19°. Eu, lógico, botei até meias (e dormi de cobertinha).

Chuva em Belém (Foto: Bruno Terribas)

 

Abril
Abril é um mês que eu considero de transição, assim como Janeiro. É quando a gente já consegue colocar os sapatos e os sofás mofados de março pra tomar um sol pela manhã em alguns dias. Eu chutaria que é mais ou menos numa média de uns 4 dias da semana em que o dia todo fica nublado contra 3 ensolarados. Mas aqui o calor já volta a ficar mais intenso e, embora tenha uma brisa boa, terminam as férias do ventilador (ou do ar-condicionado pra quem pode pagar a fortuna que é energia elétrica por aqui).

Maio
Nesse mês o clima é bastante parecido com Dezembro. São mais dias ensolarados, o calor volta com força e de tardinha rola aquela pancada de chuva torrencial, de alagar e parar as partes mais baixas da cidade. Por vezes a chuva continua fina até a noite.
Um dos momentos bonitos de maio é passear pela Praça Batista Campos no dia das mães. A praça, que já é linda de nascença ganha uma movimentação toda especial com balões de corações decorando a paisagem.

Junho
É verão! De Junho até Novembro, o clima dá uma boa estabilizada. Céu nublado começa a ser raridade, a não ser quando a chuva da tarde se arma – e num pestanejar. A chuva chega sem a gente perceber e em seguida costuma ir também embora. Esse é o mês em que as sombrinhas mostram a força de sua dupla utilidade e você pode ficar com a sua aberta durante todo o dia, seja pra proteger da chuva ou do sol. Aqui em casa, é quando a brisa vai virando vento, quentinho, é verdade, mas bem mais constante.
Esse é um dos meus meses preferidos aqui em Belém. Seja porque é quando finalmente a sensação de mofo começa a passar, quando o sol reluzente sobre as mangueiras depois de meses de chuva dá um outro colorido para as ruas, ou porque é quando enfim chega a hora do Arraial do Pavulagem brilhar. Todos os domingos do mês, o grupo musical e folclórico promove um vibrante arrastão que começa na escadinha da Estação das Docas e vai até a Praça da República e leva milhares de foliões juninos para as ruas atrás de seus bois. Um espetáculo para dançar, cantar, suar e arrepiar! Tá com o feriado prolongado de junho dando sopa? Resolva com Belém e o Pavulagem na sua agenda!

Arrastão do Pavulagem 2016 (Foto: Bruno Terribas)

 

Julho
A virada para o verão já está mais estabilizada e todos os dias amanhece já com um sol ardente que te faz implorar por banhos gelados. A chuva fica mais esporádica, embora quando venha, seja geralmente com muita força de vento e volume de água. A sombrinha do camelô geralmente não aguenta e as marquises das lojas são abrigos concorridos. Durante a noite, continua sempre aquele calorzinho úmido que parece te abraçar. Uma delícia para gente que, como eu, não é tão calorenta.
Se em São Paulo a expectativa de toda criança era pelas famigeradas Férias de Janeiro, por aqui parece haver uma correspondência com as Férias de Julho. Afinal, é em Julho que temos a verdadeira “Férias de Verão” no Pará. Com o sol escaldante e a diminuição do volume de chuvas, os belenenses batem em retirada rumo aos “interiores”. Muitas famílias vão para as casas dos parentes à beira dos rios, mas o destino mais requisitado da temporada é mesmo o litoral marítimo. “Férias no Sal” é expressão comum para se referir à ida para as praias de mar salgado (como a nossa já preferida Algodoal) ou para o município de Salinópolis, o destino mais concorrido (e consequentemente mais cheio) pelos turistas.

Agosto / Setembro
Juntei Agosto e Setembro em um mesmo item porque durante o período em que estive por aqui, tive a sensação de serem meses bastante semelhantes em relação ao clima. Os dias continuam muito quentes, ensolarados e com chuvas passageiras quase sempre no meio da tarde. Amigos meteorologistas poderiam muito explicar se uma coisa tem a ver com outra, mas parece que conforme a incidência de chuva vai diminuindo ao longo dos meses, aumenta-se o vento. É ele que, junto com as sombras das árvores, viram motivo de gratidão pela cidade.

Outubro
Calorzão pesado! Assim como Novembro, Outubro me pareceu um dos meses mais quentes em Belém. E por mais que ronde pela cidade a máxima que em “Belém no verão chove todo dia e no inverno o dia todo”, neste mês eu vi vários dias passarem sem nenhuma gota de chuva a cair do céu. O sol queima a fio e às vezes você pode se pegar implorando por uma manhã nublada como aquelas de dias de inverno.
E é justamente no segundo domingo de Outubro que acontece sempre o grandioso Círio de Nazaré – uma experiência indescritível (como relatei aqui). Sem dúvida é quando a cidade está mais cheia de turistas e, consequentemente, passagens e hotéis estão mais caros. Mas nada que uma boa antecedência não resolva os problemas de quem precisa economizar. E se o Círio em si não for um motivo suficiente para sua visita, te garanto que este é o mês em que a cidade fica mais bonita. As casas todas se enfeitam para “Nazinha” e o clima de festividade muda de uma maneira impressionante as relações cotidianas. Vale muito!

Círio de Nazaré 2016 (Foto: Michele Escoura)

 

Novembro
“Cadê a chuva?” você pode pensar se vier para Belém em Novembro. Em 2016 ela custou a aparecer por aqui nesse mês e, quando veio, deixou a sensação de ter sido pouco. Nem pense em sair de casa sem um bom protetor solar e seus óculos escuros para amenizar a claridade. As temperaturas vão lá pro alto, embora aqui não atinjam números tão exorbitantes nos termômetros. A máxima histórica da cidade foi registrada em 38°, o que parece pouco para um carioca em Janeiro, mas com certeza também não é algo tranquilo de se sentir. Em Belém, por conta da alta umidade, a sensação térmica além de ser maior do que registrado nos termômetros, é bastante diferente daquilo tudo que você provavelmente já sentiu se não esteve dentro de uma floresta equatorial.
Também é em novembro que (ao menos nos dois últimos anos) Belém hospeda o Festival Se Rasgum, uma iniciativa que dá visibilidade para a cena musical paraense e traz artistas nacionais e internacionais para o Pará. Para quem está viajando pelos roteiros musicais que Belém proporciona, a temporada do festival pode ser uma boa pedida para incrementar ainda mais a agenda já cheia de festas que ocorrem semanalmente pela cidade.

Dezembro
E dezembro aqui não é apenas o mês da virada de ano, é também tempo de virada de estação. Se no começo do mês você pode achar que o calor vai te paralisar de moleza, lá pela metade do mês as chuvas começam a aparecer com mais frequência no calendário. Vira e mexe e já acorda um dia com mais nuvens e de tarde ela está lá, mostrando porque é tão famosa por aqui. É a anunciação de um novo tempo, um tantinho mais fresco.
Se você vier para Belém em dezembro, ainda vai encontrar a decoração feita para o Círio enfeitando as ruas do centro da capital. O clima natalino, embora tenha me parecido menor do que aquele provocado pela festa para Nossa Senhora de Nazaré, vai tomando conta da cidade. É também o clima de despedida dos moradores que, em seguida aos festejos, já vão logo para outros destinos durante o ano novo.

Chuva se formando em Belém pela vista do rio (Foto: Bruno Terribas)

Comentários

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1 Comment
  1. Ednéia Gonçalves abril 24, 2017

    Preparando o agendamento de viagem em 3, 2, 1…

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