maio 1, 2017

Na ponta da língua dos papachibé

O português paraense do Tapajós à Costa Atlântica

By Bruno Terribas In SINTA

Ei meu maninho, ei minha mana, paraense ou de outro canto. Me acordei hoje pensando em escrever um texto firme com expressões deste falar peculiar do povo papachibé (ou xibé, noutras versões). Espero que não soe um pouco boçal para um forasteiro se arriscar nessa empreitada. Mas borimbora tentar, na manha.

Diferente do que temos visto na novela das nove da Globo, o sotaque e as expressões não devem ser confundidas com as do Nordeste. Aquilo é potoca pura, muito palha, moleque! Percebi que a turma ficou foi mufina  de ver tanta coisa errada nesta “representação”. Já começa pela escolha daquele forrozinho (nada contra o forró, muito pelo contrário) como canção-tema da moleca protagonista. Mas quando! Era para ser um brega, uma saudade, uma marcante bacana, ô dona Globo!

Tudo bem que no égua até que a Ísis tá se saindo numa boa. Mas aquele ator que faz o caminhoneiro Zeca, ulha, parece leso. Té doidé… o personagem poderia ser tudinho na vida, menos alguém que roda no estradão. Mas tá safo, também não vou ficar só dando mijada nos outros. Vamos seguir porque a intenção é mostrar quão pai d’égua é esse jeito paraense de dizer as coisas.

Como é de conhecimento da maioria, e no já clássico som da Dona Onete, o principal e mais original ponto turístico de Belém é o Mercado do Ver-o-Peso. Chegando no Mercado de Peixe, seu olfato logo vai te ensinar o que é o pitiú. Passando pra outras sessões do Veropa irás te deparar com o cheiro de ervas e fragrâncias como o patchouli, o pau rosa, e a priprioca. Converse ali com as erveiras e vais perceber que o efeito daqueles banhos todos é de rocha!

Mas tenho que dar um alerta: apesar de tudo de interessante que recomendei, não fiques patetando de turista, com chapeuzinho de safári e celular na mão tirando foto. Numa dessa tu podes até sair batido, ter sua bolsa escangalhada, ou pior, levar farelo mesmo. Juro que não tô jogando pssica, mas é pra tu ficares ligado que tem muita onda no setor. Se liga pra não sair fumado, certo maninho?

Ei jogador, mas te acalme que tem muito mais. Se tiver brocado, chega junto onde a turma tá almoçando açaí com peixe e farinha da baguda. Estranho pra você? Fica de butuca primeiro, vê a turma lambendo os beiços. Vais perceber que essa combinação é só o creme. Selado, valendo mesmo, vai por mim.

Se achegue às águas do Rio Guamá pra admirar os po-po-pôs passando. Se animares, atravessa pra conhecer a Ilha do Combu. Eras! Tu vais gostar demais!

Esse amor do paraense com a sua terra pode até parecer pavulagem pra quem ainda não conhece a região. Mas vai por mim, aqui é mesmo só o filé.

[Colaborou Marianna Bonna Civille com sua revisão de nativa]

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