abril 2, 2016

Da garoa, tempestade

By Michele Escoura In SINTA

Hoje choveu enquanto fazia um sol de estalar a testa sob o céu azul. Mistura poética do Climatempo de Belém no mês de abril. Pode ser o inverno acabando-se, ou miragem para a pele suada na hora do almoço apenas.

Costumam dizer por aqui que “no inverno chove o dia todo, e no verão chove todo dia”.

Ainda não acostumei com tamanha umidade, mas entendi porque a gente de cá é chamada de “povos das águas”.

Rio o quê, é “água” de chuva mesmo.

Em São Paulo, qualquer acinzamento de céu já provocava rebuliço. As gotas nem pingavam e o trânsito já tava congestionado e o povo vestindo uma echarpe. Aqui, sinal nenhum de desesperamento. Fico em choque. Chove-se, é um dado. E quando chove, é só abrir o guarda-chuva ou esperar passar debaixo de uma mangueira.
Zélia Duncan fez um reparo do qual compartilho: “a chuva em Belém é como o dia e a noite. É certo que amanhece, é certo que anoitece, é certo que chove”. Tá no roteiro desse baile bonito e abafado que é a passagem do tempo pela cidade.
Tá certo que minha jaqueta de couro não tem resistido muito bem à terra d’água. Vive mofada, mesmo quando posta ao sol. Dá duas semanas e me aparece de novo o musgo verde pra me jogar na cara que foi-se o tempo de botá-la avião de volta pro semi-árido de concreto.

Chegando em Belém, eu e a chuva

Chegando em Belém, eu e a chuva.

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