setembro 19, 2017

Cantando o amor por Belém do Pará

Canções que homenageiam a capital paraense

By Bruno Terribas In OUÇA

Belém, me desculpe. Andei um pouco sumido, nunca mais parei para escrever sobre você. Transitei por terras longíquas dentro e fora do país nos últimos meses. Mas juro que não deixei de lembrar e sentir saudade.

Para comemorar nosso reencontro em grande estilo, quero fazer minha a voz de tanta gente boa que cantou suas belezas e seus encantos. Sei, você deve estar pensando que é clichê falar desse jeito. Prometo que vai se emocionar e adorar a homenagem. Confesso que foi difícil escolher apenas algumas canções. Na disputa pelas capitais mais reverenciadas no país hoje, acho que está sempre no páreo com Rio ou Salvador.

Para começar, vamos com uma cantora que conheci depois de vir morar aqui. Ana Mel interpreta muito bem esta composição da professora do Instituto Carlos Gomes, Dayse Puget. Ouve aí depois eu volto:

 

Gostou? Aposto que te deu vontade de levantar e sair rodando a saia! Esse banjo no começo só atiçando a curiosidade do que vem pela frente, depois entra percussão… cada virada pai d’égua! Fora as imagens que vai criando na nossa cabeça: patchouli, taperebá, as mangueiras. Quanta coisa boa né?!

E como falar de você sem citar uma de suas filhas mais conhecidas? Fafá fechou o terceiro disco, lá nos idos de 1978, cantando um título dos gigantes Paulo André e Ruy Barata. Vamos ouvir juntos?

As décadas vão passando, e você continua encantando as novas gerações. Olha o soteropolitano Lucas Santanna se derretendo por você numa pegada bem contemporânea:

Jambú traz lembrança/ Na boca, a língua dormente”… Quem tremeu uma vez com você não esquece. Taí a prova.

Falando em tremer, quem sempre colocou a turma pra dançar legal foi o nosso querido Mestre Vieira. Sim, ele é de Barcarena, que é coladinha aqui e nos deu esse grande rei da guitarrada e da lambada. Vem curtir comigo essa guitarrinha caribenho-amazônica acompanhado dOs Dinâmicos:

 

O paraense afastado da sua terra é um eterno exilado. Sente que comovente essa música de Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha. Radicado no Rio de Janeiro, foi gravado por Jackson do Pandeiro, Bezerra da Silva e Abdias. Naquele tempo (1973) a viagem de ônibus demorava dias, então a vontade de voltar à terra pro Círio rendia até apelo divino: “Se Deus quiser esse ano irei a Belém do Pará”…

Falando em forasteiros, vou citar apenas dois dos maiores da nossa música que também caíram apaixonados ao pisarem aqui.

Curte aí a “madrinha” Leci Brandão, grande sambista popular carioca:

Em 1985 ela já fez um verdadeiro tour provando de tudo. O açaí, o tacacá, a “manga que achou na rua”, tomou um gostoso banho de igarapé e “cantou pra lua” no Bar da Praça (da República).

E o filho mais ilustre do nosso sertão, Luiz Gonzaga, o Lua, compôs esse lindo baião sobre a capital do Pará:

Essa faixa abria o LP “Aboios e Vaquejadas” de 1956, composta em conjunto com o mineiro Lourival Passos. Entre as suas lembranças, “orar na Matriz de Belém/ conversar com alguém”.

Bem, vamos parando por aqui porque depois de tanto elogio sua vaidade já está mais elevada que a copa duma samaumeira. Logo chega o Círio de Nazaré e você vai ficar mais linda e enfeitada ainda. Sei que ficou muita gente boa de fora, mas espero que tenha gostado desta singela homenagem. Viva Belém!

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