maio 16, 2016

3 carimbós imprescindíveis

By Bruno Terribas In OUÇA

Um dos principais motivos que me fez querer conhecer (e depois adorar) o Pará é qualidade da música produzida aqui. Como curioso/pesquisador musical e fã do carimbó, me permito fazer aqui um guia básico de imersão neste ritmo tão impactante para os ouvidos e corpos, apresentando três canções clássicas.

Desde que cheguei a Belém, percebi que estas músicas são imprescindíveis em qualquer apresentação do musical. Posteriormente percebi que o carimbó vai muito além da música. Além dela engloba a dança, a festividade e uma infinidade de manifestações culturais que não caberão neste artigo de blog (no fim do texto há uma recomendação bibliográfica importante!).

O que me despertou mais interesse e aprendizado no carimbó foi a temática de suas letras. Para um forasteiro urbanoide e desconhecedor da Amazônia, pensar sobre o contexto que inspirou as composições é uma bela introdução ao rico universo desta região do Brasil.

Esse Rio é Minha Rua

A composição do ilustre paraense Ruy Barata (https://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Barata) e seu filho, Paulo André Barata, foi gravado por Fafá de Belém no disco “Tamba Tajá” de 1976.

Entre chaves, fiz algumas observações sobre termos que pesquisei:

 

Esse rio é minha rua

minha e tua mururé [planta medicinal amazônica]

piso no peito da lua

deito no chão da maré

Refrão

Pois é, pois é,

eu não sou de igarapé [riacho]

quem montou na cobra grande [lenda de várias regiões da Amazônia sobre uma imensa cobra maligna]

não se escancha [preocupa] em puraqué [peixe elétrico]

 

Rio abaixo, rio acima,

minha sina cana é

só em falá da mardita

me alembrei de Abaeté [Abaetetuba, conhecida como “terra da cachaça” do Pará até meados do século XX]

 

Refrão

Me arresponde bôto preto [também chamado tucuxi, uma das lendas de botos da Amazônia]

que te deu esse pixé [mau cheiro]

foi limo [lodo, barro, lama] de maresia

ou inhaca [cheiro] de mulhé?

 

Lua luar  e Pescador, pescador

De autoria de Mestre Lucindo, de Marapanin (litoral paraense), a letra exata destas duas canções é tema controverso, pois encontram-se diferentes versões nas faixas disponíveis.

O criador desse e de outros clássicos do carimbó paraense era conhecido como “poeta da natureza”.

As gravações mais acessíveis são de Nazareth Pereira, importante intérprete da música do Pará, e do Arraial do Pavulagem (esse grupo merecerá um post exclusivo). Há também uma gravação da Banda Calypso que considero dispensável.

 

A lua sai de madrugada, ao romper do sol

Ela sai acompanhando os namorados que andam só

Coro

Oh! Lua, lua, luar Me leva prá passeá

 

Pescador, pescador

Pescador, pescador porque é que no mar não tem jacaré

Pescador, pescador porque foi que no mar não tem peixe-boi

Eu quero saber a razão que no mar não tem tubarão

Eu quero saber porque é que no mar não tem jacaré

Coro

Ah! Como é bom pescar

À beira mar,

Em noite de luar

 

O carimbó se tornou, em 2014, Patrimônio Cultural Brasileiro reconhecido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natural) do antigo Ministério da Cultura. Para alcançar esse reconhecimento, houve uma forte mobilização da campanha “Carimbó: Patrimônio Cultural Brasileiro”.

Recomendo a leitura do “Dossiê Carimbó”, lançado em outubro de 2013 pelo órgão e que contém vasta pesquisa, sendo imprescindível aos que queiram se aprofundar no tema.

 

E viva o carimbó!

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Na foto: Conjunto Raizes da Terra
CARLOS SODRÉ-ARQUIVO/AG.PARÁ
DATA: 10-09-2014
MARAPANIM-PARÁ

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